O Grande Motim (Filme, 1935)


E o Oscar vai para...

Na noite de 26 de fevereiro de 2017, milhões de pessoas ao redor do mundo acompanharão a 89° edição da mais famosa cerimônia de premiação do cinema.

Nas vésperas do anúncio dos vencedores, Diário de Bordo relembra um grande clássico da sétima arte, “O Grande Motim”, produção contemplada pela Academia como Melhor Filme de 1935, inspirada na dramática história do célebre HMS ‘Bounty’.

Dentre as inúmeras produções hollywoodianas baseadas em episódios marítimos, “O Grande Motim” e “Titanic” (1997) foram as duas únicas a receberem o prêmio de Melhor Filme.

Que o presente texto possa estimular em nossos leitores o desejo de conhecer ou revisitar esta obra-prima do cinema.

Pôster do filme "Mutiny on the Bounty", dirigido por Frank Lloyd, 1935

A História

Lançado no Brasil com o título de “O Grande Motim”, “Mutiny on the Bounty” é um filme americano de 1935, em preto e branco, dirigido por Frank Lloyd, de 132 minutos de duração, baseado no romance homônimo de Charles Nordhoff e James Norman Hall, publicado em 1932.

O livro inspira-se na história verídica do HMS ‘Bounty’, um pequeno navio mercante da Royal Navy (Marinha Real Britânica), que se tornou célebre pelo motim liderado pelo tenente Fletcher Christian contra o comandante William Bligh, em 28 de abril de 1789.

A revolta ocorreu durante a viagem de regresso, perto de Tonga, quando o ‘Bounty’ transportava mais de 1000 mudas de fruta-pão recolhidas no Taiti, a fim de serem transplantadas para as Antilhas, como alimento barato para os escravos.

Após dominarem o navio e abandonarem o comandante e 18 de seus leais homens num escaler de apenas 7 metros e uma vela, os amotinados terminaram sua fuga pelo Pacífico nas Ilhas Pitcairn, então ausentes nas cartas náuticas da Royal Navy. Ali incendiaram o ‘Bounty’ e permaneceram escondidos por quase vinte anos.

No comando de seu bote, William Bligh realizou uma das maiores façanhas náuticas da História, percorrendo em 47 dias as 3.500 milhas náuticas que separam Tofua, em Tonga, da possessão holandesa de Coupang, no Timor, com a perda de somente um homem.



Primeira edição de "Mutiny on the Bounty", de Charles Nordhoff e James Norman Hall, 1932



O enredo

O ano é 1787 e o HMS ‘Bounty’ precisa de seis marinheiros para completar a tripulação da longa viagem de dois anos rumo ao Oceano Pacífico.

À frente de um grupo da Royal Navy, o tenente Fletcher Christian (interpretado por Clark Gable) entra numa taberna de Portsmouth para recrutar os últimos homens. Um deles pergunta quem é o comandante e tenta fugir logo que ouve o nome de William Bligh (interpretado por Charles Laughton), conhecido por administrar punições severas para manter a disciplina a bordo. O jovem Thomas Ellison (Eddie Quillan) tem um motivo a mais para permanecer em terra, pois seu filho acabou de nascer e, desde então, ele abandonou o mar. Apesar dos insistentes rogos de sua esposa junto ao tenente, Ellison acaba convocado.

No dia da partida, a brutalidade do comandante se confirma, quando antes mesmo de zarpar, ordena que seja concluída a punição a chibatadas a um marinheiro de outra embarcação, já morto, condenado por agredir seu capitão!

O fato espanta o aspirante Roger Byam (Franchot Tone), oriundo de uma tradicional família de homens do mar, um idealista dividido entre a lealdade ao seu comandante e a amizade com Fletcher Christian.

Durante a viagem, William Bligh permanece implacável no tratamento à tripulação. Um marinheiro é mantido amarrado ao topo de um mastro em plena tormenta, três homens têm a ração cortada pela metade por dez dias, um jovem que pedia água é atirado ao mar e acaba morrendo ao ser puxado de volta a bordo. Todos trabalhavam como condenados e alimentavam-se pessimamente, em virtude das economias nos gastos com suprimentos impostos pelo comandante em seu próprio benefício.

Ao verificar a crueldade a bordo, Christian começa a se indispor com Bligh e a questioná-lo abertamente sobre as injustiças cometidas. Mas, quando a tripulação avista o Taiti, as fisionomias se alegram e por um tempo os desmandos do comandante são esquecidos.

Recebida efusivamente pelos nativos e pelo chefe da ilha, Hitihiti, a tripulação do ‘Bounty’ é enviada para terra para cumprir o objetivo da sua missão: recolher e transportar para o navio as mudas de fruta-pão. Fletcher, porém, é impedido por Bligh de deixar a embarcação durante a estadia. Já Byam passa um período na ilha, vivendo na casa de Hitihiti e sua filha, a bela Tehani (Movita Castaneda). Animado pela experiência, o aspirante passa a compilar um dicionário inglês do idioma taitiano e, paralelamente, desenvolve uma paixão pela filha do chefe. Numa das cenas mais marcantes do filme, um espirituoso diálogo entre o líder nativo e o inglês demonstra a profunda diferença entre as duas culturas:

- E qual é a sua palavra para dinheiro? - pergunta Byam.

- Dinheiro? O que é dinheiro? – responde Hitihiti, descascando uma banana.

- Vou explicar. Qual você escolheria? Esta moeda ou este prego?

O chefe aponta para o prego.

- Não, Hitihiti. Com um desses (a moeda) você compra vinte desses (o prego).

- Onde?

- Na Inglaterra. Lá tem que ter dinheiro para viver, para comprar comida.

- Na ilha Inglaterra não tem fruta na árvore? Não tem peixe no mar?

- Sim, bastante.

- Sem dinheiro, sem comida?

- Isso mesmo.

- Eu fico aqui – conclui Hitihiti, convicto e sorridente, abocanhando com gosto a banana.

Justamente Hitihiti é quem persuade William Bligh a autorizar Fletcher Christian a ficar na ilha por um dia. O tenente desembarca e logo se enamora de uma jovem amiga de Tehani, a igualmente bela Maimiti (Mamo Clark). Ao cumprir o seu prazo na ilha, Christian promete voltar para buscá-la.

Mas também os outros homens conheceram a fartura da terra e os encantos femininos do Taiti e, ao embarcarem novamente, sentiam que trocavam o paraíso de Hitihiti pelo inferno de Bligh. Alguns deles tentaram permanecer na ilha, mas capturados como desertores, foram acorrentados nos porões do navio por ordens do comandante.

Ao iniciar a viagem de retorno, Bligh decide racionar a água da tripulação em favor das mudas de fruta-pão que precisavam ser regadas. Após a morte do médico-cirurgião, o beberrão, divertido e querido Sr. Bacchus (Dudley Digges), os homens estão a ponto de se rebelar contra o seu comandante. É Fletcher Christian quem inicia o motim, depois de presenciar os prisioneiros do porão sendo agredidos por um oficial.

A tripulação ataca o gabinete de armas e, após uma luta renhida com os homens leais a Bligh, se apodera do navio. O comandante e mais 18 tripulantes são lançados em um escaler, recebendo por ordens de Christian água, mantimentos e uma bússola. É quando Bligh demonstra seus exímios dons de navegador e, no comando do bote, consegue atingir o Timor, após percorrer 3.500 milhas náuticas em 47 dias. “Conseguimos vencer o mar”, comemora o exausto comandante.

Sob o comando de Fletcher Christian, o ‘Bounty’ retorna para o Taiti, com apoio total dos amotinados. Contudo, Roger Byam, que estava em sua cabine durante o motim, desaprova a atitude do tenente e afirma que dali em diante a amizade entre os dois acabara. Meses depois, já na ilha, Byam casa-se com Tehani e Christian com Maimiti, de cuja união nasce uma criança. O tenente e o aspirante se reconciliam e, finalmente, o resto da tripulação parece desfrutar de sua liberdade na ilha paradisíaca.

Certo dia, porém, o navio britânico HMS ‘Pandora’ é avistado nas proximidades da ilha. Byam e Christian decidem então que é hora de se separarem definitivamente. O aspirante e outros membros da tripulação resolvem esperar o navio, para serem levados de volta à Inglaterra. Mesmo tendo tomado parte no motim, o jovem Thomas Ellison escolhe ficar, pois nutria esperanças de ver novamente a esposa e o filho. Já Christian leva a tripulação restante, sua esposa e vários homens e mulheres taitianos para bordo do ‘Bounty’, em busca de uma nova ilha para refúgio.


Ao embarcar no ‘Pandora’, Roger Byam surpreende-se ao constatar que William Bligh é seu capitão. O comandante vê o aspirante como cúmplice dos amotinados e o aprisiona durante o resto da viagem. Na Inglaterra, Byam enfrenta o tribunal do Almirantado e é considerado culpado de motim. Ciente de sua condenação à morte, antes da leitura oficial da sentença, o aspirante revela diante do tribunal e do próprio Bligh a conduta cruel e desumana do comandante do HMS ‘Bounty’. Todavia, graças à intervenção de seu amigo, Sir Joseph Banks (Henry Stephenson), e de Lord Hood (David Torrence), junto ao rei George III, Byam é perdoado e consegue retomar sua carreira naval.

A mesma sorte não teve o jovem Thomas Ellison, que antes de sua execução obteve ao menos a permissão para se despedir da esposa e do filho.

Os amotinados que permaneceram com Fletcher Christian encontraram seu refúgio nas Ilhas Pitcairn, cuja localização, para sua sorte, era omitida nas cartas náuticas britânicas. Lá o ‘Bounty’ se choca contra as rochas, sendo incendiado pela tripulação a mando de Christian, para que nenhuma pista fosse deixada e uma nova vida, livre de tirania, pudesse ter início.


Discordâncias históricas

Por tratar-se de filme baseado em romance, “O Grande Motim” apresenta diversas imprecisões históricas, pois o próprio livro difere em algumas partes do fato real.

William Bligh nunca esteve a bordo do HMS ‘Pandora’, nem esteve presente no julgamento dos amotinados que permaneceram no Taiti. Na época, o comandante encontrava-se a meio caminho ao redor do mundo, em uma segunda viagem para coletar mudas de fruta-pão.

O pai de Fletcher Christian morrera muitos anos antes das viagens do filho a bordo do HMS ‘Bounty’, sendo portanto anacrônica a cena em que aparece no julgamento dos amotinados.

William Bligh é retratado segundo o estereótipo do comandante sádico, cruel e disciplinador. As cenas da flagelação do marinheiro já morto e do ‘keelhauling’ (homem lançado ao mar com embarcação em movimento e içado de volta a bordo) não correspondem à realidade.

Em verdade, o exame cuidadoso do diário de bordo do ‘Bounty’ revela que a taxa de flagelação foi menor que a média de seu tempo. Antes do motim, registraram-se apenas duas mortes, um marinheiro vitimado por escorbuto e o cirurgião do navio, morto aparentemente por abuso na bebida e indolência e não pelos excessos de Bligh.


Então, quais foram as causas reais do motim?

Contraditoriamente, a liberalidade (e não severidade) de William Bligh durante o longo tempo de permanência no Taiti. Por cinco meses, o comandante preocupou-se deveras com o carregamento das mudas de fruta-pão, negligenciando um tanto a disciplina da tripulação e permitindo aos seus marinheiros o envolvimento com as mulheres nativas. Não é difícil concluir que, na hora da partida, muitos deles, homens com antecedentes criminais na Inglaterra, não demonstravam o menor desejo de deixar a prazerosa vida na ilha. Quando Bligh percebeu o erro cometido e tentou apertar mais a disciplina, punindo qualquer deslize, a tripulação decidira livrar-se de seu comandante.

Desse modo, é fictícia a cena do filme em que Fletcher Christian resolve sublevar a tripulação ao verificar dois marinheiros acorrentados no porão do navio. Durante o motim, ao contrário do que o filme mostra, nenhum membro da tripulação leal ao comandante morreu na ação, embora um dos amotinados por pouco não atirasse em Bligh, sendo contido por Christian.

Na parte final, Christian faz um discurso inspirado aos seus companheiros amotinados, pregando uma sociedade de homens livres nas Ilhas Pitcairn, longe das rígidas leis do Almirantado britânico. Todavia, sabe-se que os ingleses que lá ficaram subjugaram os nativos taitianos, escravizando-os.

Como todos os marinheiros da Royal Navy no século XVIII tinham que ser barbeados, para interpretar Fletcher Christian, Clark Gable relutantemente teve que raspar seu famoso bigode. O aspirante de marinha Roger Byam foi inspirado em um personagem real, o aspirante Peter Heywood, o qual não é mencionado no livro, nem no filme. Assim como na ficção Roger Byam é perdoado no fim do filme, o real Peter Heywood foi perdoado por sua parte no motim.

Já o jovem amotinado Thomas Ellison teve no filme a permissão para ver esposa e filho antes de sua execução. Nenhum registro indica ao certo se Ellison foi realmente casado e, em qualquer caso, uma visita familiar para um condenado à morte naquela época não teria sido autorizada.

O real Thomas Ellison foi enforcado em 29 de outubro de 1792, em Spithead, Hampshire, Inglaterra, aos 20 anos de idade.


Recepção da crítica e do público

Distribuído pela Metro-Goldwyn-Mayer, “O Grande Motim” foi um dos maiores sucessos do cinema de seu tempo. Apesar de suas discordâncias históricas, a crítica especializada considera o filme a melhor adaptação ao cinema baseada na história do célebre HMS ‘Bounty’.

Suas locações incluíram regiões da Califórnia e da Polinésia Francesa, especialmente o Taiti.

Os comentários contemporâneos foram muito positivos:

“Cruel, brutal, fortemente romântico, feito de horror e coragem desesperada, é uma filmagem tremendamente emocionante e dramática de Hollywood nos últimos anos. A trilogia Nordhoff-Hall nasceu para ser filmada e a Metro-Goldwyn-Mayer deu-lhe o tipo de produção que uma grande história merece" - Andre Sennwald, The New York Times.

“Um dos maiores filmes de todos os tempos. Uma épica varredura do mar como ele é" - Hollywood Reporter.

“Hollywood em seu muito melhor. A história não poderia ter sido apresentada tão poderosa através de nenhum outro meio" – Variety.

“Uma das produções mais importantes desde a criação das imagens faladas. É sombrio, emocionante, uma pictografia perfeita” – Film Daily.

John Mosher, do ‘The New Yorker’, declarou que os cineastas tinham “feito um bom, sólido e fino trabalho”, escrevendo que o desempenho de Laughton como capitão Bligh "não pode ser exatamente a imagem do bruto típico, mas é uma obra-prima de Laughton”.

O sucesso de “O Grande Motim” não se reduziu à crítica, mas se estendeu também ao público, como indicaram seus números de bilheteria.

De acordo com a Metro-Goldwyn-Mayer, o filme arrecadou $ 2.250.000 nos Estados Unidos e Canadá e mais $ 2.210.000 em outros países, tendo por resultado um lucro de $ 909.000.

Premiações

“O Grande Motim” liderou a pesquisa anual da revista ‘Film Daily’, na qual 523 críticos elegeram-no como o melhor filme de 1936, embora, tenha sido lançado em novembro de 1935, muito tarde para concorrer na lista do referido ano

Em 5 de março de 1936, na 8° edição do Oscar, a produção de Frank Lloyd recebeu o prêmio de Melhor Filme de 1935. Trata-se do último vencedor de Melhor Filme (ao menos até 2017) a vencer em nenhuma outra categoria, seguido por ‘Melodia na Broadway’ (1930) e ‘Grande Hotel’ (1932).

As outras cinco categorias em que o filme concorreu foram: Melhor Ator, Diretor, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora e Montagem.

As impecáveis atuações de Clark Gable (como Fletcher Christian), Charles Laughton (Wiliam Bligh) e Franchot Tone (Roger Byam) renderam aos três atores a indicação ao prêmio de Melhor Ator. O fato, único na história do Oscar, levou a Academia a criar uma nova categoria, a de Melhor Ator Coadjuvante.

Entre outras honras, “O Grande Motim” figura na 86° posição dos 100 melhores filmes americanos, segundo a lista da American Film Institute (AFI).

Na lista dos 100 maiores vilões do cinema da mesma entidade, o comandante William Bligh, interpretado por Charles Laughton, ocupa a 19° posição.

Outras versões

Diferente do que se pode imaginar, “O Grande Motim” não foi o primeiro filme a retratar o caso do HMS ‘Bounty’.

A primeira produção conhecida sobre o tema é um filme australiano-neozelandês, de 1916, intitulado ‘The Mutiny on the Bounty’, dirigido por Raymond Longford.

Em 1933, foi lançado um filme australiano, ‘In the Wake of the Bounty’, com o então desconhecido Errol Flynn como Fletcher Christian, mas sem sucesso, recebendo poucas menções fora da Austrália. Curiosamente, dois anos depois, o mesmo Errol Flynn estrelaria no filme “Capitão Blood”, no papel do valente Peter Blood, ganhando a partir de então notoriedade. Desta vez, o filme foi um sucesso e, ao lado de outras 11 produções de 1935, foi indicado para o Oscar de Melhor Filme, sendo derrotado justamente por “O Grande Motim”.

Em 1962, foi lançado um remake de “O Grande Motim”, filme já colorido, com três horas de duração. Nem mesmo a atuação do astro Marlon Brando no papel de Fletcher Christian e de Trevor Howard no de William Bligh salvaram o filme do desastre crítico e financeiro. Atualmente, porém, a crítica passou a reavaliar a produção.

Em 1984, Mel Gibson interpretou Fletcher Christian e Anthony Hopkins William Bligh no filme “The Bounty”, lançado no Brasil com o título “Rebelião em Alto-mar”. Embora concebido como um remake das produções de 1935 e 1962, o filme não baseou-se no romance de Nordhoff-Hall, mas em um estudo histórico de Richard Hough, “The Bounty”.

Esta última versão oferece uma visão muito mais simpática do comandante William Bligh, sendo considerada a mais próxima dos eventos históricos.

Mas nada que ofusque a beleza artística do grande clássico de 1935.

Fonte:

https://en.wikipedia.org/wiki/Mutiny_on_the_Bounty_(1935_film)

#FilmesClássicosMarítimos

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